quarta-feira, 16 de abril de 2014

Querido diário, quase posso chamá-lo assim, desde que caí das nuvens a solidão tem me feito esse blues. Com certeza com muitas notas menores e um sustenido pra dar aquela descompassada bem sonora.

Eu ainda padeço das mesmas dúvidas, incertezas e meio amores. Com o agravante das memórias de volta. Aquelas que me assolaram durante intermináveis meses, por que não dizer assombraram?! E no momento, procuro em qualquer substância, a chave pra minha completa insanidade, que eu acho que anda bem do meu lado, me olhando de canto de olho. Só esperando a hora certa. Talvez se ela me bater a porta eu tome algum jeito na vida de uma vez por todas.

No momento, meu blues tem nome bonito. Olhos camufláveis, que dependem do dia. Cheira a perfume com tesão, por falta de palavra mais adequada. Eu adoro o jeito com que ela enxerga as pessoas. Tem hora que eu a quero pro resto da vida, outras horas só por mais essa noite, nem ela mesma se quer o tempo todo. Ela tem essa vantagem de fugir de si e ser outras, e ela adora isso. Mesmo que isso implique também ela ser de outros vez em sempre, pra mim, uma desagradável realidade.
Talvez eu me coloque no meu lugar com isso, lugar de aceitar essa paixão do modo que ela pode acontecer. Ou talvez eu nem deva me esforçar tanto? Vai saber.
O fato é que me acostumei a fingir não me importar, e diagnosticar os momentos que ela está com outro alguém, aguçada percepção a minha.
Vai saber fingir taquicardia com mensagem? Vai saber fingir arrepio com beijo? Vai saber fingir que somem as palavras na presença dela? Eu me pergunto. Isso não dá pra disfarçar. Isso a gente guarda embaixo da camisa, da gola ou da manga. Como cicatriz, roxo ou carta. Pra se ela quiser ver, basta me despir, e ela faz isso com tanta facilidade...