sexta-feira, 19 de junho de 2015

Insuficiência

Quais são as razões que me façam tão descartável. Não me considero a melhor pessoa do mundo, ou a mais bem sucedida, mas estou longe de ter um futuro deplorável ou costumes absurdamente incômodos.
No entanto, eu não sou suficiente, de acordo com meus amores.

Seria esse um costume social? Como a cultura do descartável? Ou do meu público alvo?
Eu vivo de amor, respiro companheirismo e acredito cegamente, que isso faz de mim uma pessoa melhor.

Mas por que nunca sou suficiente? Não consigo identificar uma característica tão amarga ou um defeito tão devastador. Talvez seja o conjunto. Mas eu não sou suficiente.

Se eu vivo de amor e sou insuficiente para tal, o que me resta? Sobreviver apenas?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Me recuso a acreditar que esse sentimento de vazio permanente seja algo comuns a outros da minha espécie, pois eu já me senti diferente. Já me senti entorpecida, animada, certa e segura, nessa exata ordem com meus amores oficiais. Esse vazio não é comum. Não pode ser.

Como se o buraco que se formou no meu tórax fosse suficientemente grande para que todos vejam o que se passa do outro lado de mim. Eu sinto a brisa gelarem meu interior conforme eu dou passadas mais rápidas ou quando bate uma brisa.
Nesse espaço em branco, me retirou o prazer de coisas simples, como o fim de uma jornada de trabalho intensa, deitar na cama depois de um dia cansativo, o release de um episódio de uma série que acompanho, o nascer da lua cheia, o friozinho do fim do outono, a espera do fim de semana, a gula de uma comida gostosa.
Agora levanto as 7h porque tenho que. Como porque preciso me manter de pé. Deito porque meus músculos pedem. Saio do consultório porque acabou o expediente. Vejo a série porque é melhor do que ficar remoendo esse turbilhão de coisas vazias que me acontecem, me vem e vão. Paro pra pensar em tudo, e simplesmente nada me vem a cabeça. Eu paro, paraliso. Mente e corpo.
Tento ocupar meu tempo, e quanto mais eu o ocupo, mais acho que gostaria de tempo livre, e quanto mais tempo livre, mais me sinto como se tivesse de estar ocupada. Nesse looping infinito de automatismos vazios e pensamentos ocos.

Eu nunca me senti assim antes. Já me senti desvairada, triste, chorosa, revoltada, enlouquecida. Mas esse nada...